Campeões da Europa
Domingo, Janeiro 23, 2005
Impossível, improvável e magnífico
Vinte e sete jogos internacionais, algumas etapas míticas para a história, uma paragem para ganhar a Taça UEFA e o adeus de Mourinho no cúmulo disto tudo, num estádio extraordinário cheio de portistas que contrastou com o cenário do Prater, há 17 anos. O FC Porto cresceu muito entretanto. O contributo de Mourinho acabou ontem
JOSÉ MANUEL RIBEIRO
O FC Porto é campeão europeu, um ano e poucos dias depois de ter ganho a Taça UEFA.
Só quem for capaz de recordar exactamente o que pensou nessa altura poderá fazer uma ideia ténue de como a meta ontem alcançada parecia impossível. Lentamente passou a improvável - talvez em Manchester -, depois avançou para verosímil e acabou assim, como se viu, magnífica, num estádio à altura da data, encharcado de portistas como não esteve o Prater, há 17 anos. É essa a medida do crescimento do FC Porto, que ontem perdeu o contributo de um treinador extraordinário. Não custa nada agradecer-lhe os títulos, o bom futebol e a noção de que há sempre maneira de viajar para além dos limites. Ou de perceber que eles não existem.
O jogo foi simples? Não, mas pareceu. Emotivo? Pelos arrepios que o Mónaco provocou nos dois terços azuis do estádio, com certeza. Concludente? Sem a mínima dúvida. Deschamps pensou muito bem no adversário, comparou estratégias e escolheu uma, mas a dele não resultou e a do FC Porto sim, a vários tempos, apesar do começo difícil, muito parecido até com o da recente final da Taça de Portugal. O francês procurou aproveitar a defesa alta - não confundir com pressão alta -, arrastando os centrais para o meio-campo a fim de os "desonrar" em seguida, jogando entre eles ou nas costas. Baía esperou dois minutos para a intervenção mais importante que teve em todo o jogo, matando fora da área um "flash" de Morientes e com ele, provavelmente, também as hipóteses de êxito do Mónaco, porque o modelo morreu de síncope, pouco depois, com a saída de Giuly, que acompanhava o espanhol no ataque e era o mais rápido dos dois.
Como sempre, e este "sempre" tem muita importância na história europeia do FC Porto, o campeão português ganhou a bola. Precisou de algum tempo, mas jogava uma final, não era? A circulação melhorou devagar, a recuperação também, as situações apareceram e com elas veio um golo, ainda no lusco-fusco, naquela fase em que a partida chegava em definitivo às mãos da equipa de Mourinho, depois de ter parecido perigosamente caída para o lado do Mónaco. Havia a velocidade, as incursões de Rothen, pela esquerda, e Cissé, pela direita. Na aparência, muito perigo; na realidade, um remate até ao intervalo. O FC Porto fez dois e marcou um golo, espremido - sem grande margem de erro, é verdade - da superioridade técnica dos seus avançados, Carlos Alberto e Derlei. Normalmente, os jogos grandes ganham-se com atacantes potentes, eficazes e são as equipas com maior poder de fogo que levam os troféus para casa; no FC Porto, as vitórias começam mais atrás, precisam da mesma soma de talento superior, mas outro tipo de talento, menos marcial. Carlos Alberto, Deco e Alenitchev, três jogadores "iguais", fizeram os golos da final. É uma metáfora incrível do caminho singular que Mourinho traçou para Gelsenkirchen.
Substituído Giuly pelo pesado Prso, o FC Porto seguiu o seu rumo, somando frequentemente Deco aos dois brasileiros, insistindo nos dribles dele e dando-lhe o tempo que quisesse para experimentar. Segurando-lhe as costas estavam como sempre, Maniche e Pedro Mendes, este último gradualmente mais brilhante e eficiente a cada minuto que passava. O golo simplificou tudo. Deschamps perdeu depressa a paciência. Aos 63', acrescentava um ponta-de-lança à equação (Nonda), subtraindo Cissé, um médio importante, quando já havia Alenitchev em campo; aos 70', sofreu o segundo golo por acção directa do russo, em contra-ataque. Jogo resolvido na calculadora: menos médios no relvado contra um dos melhores meios-campos do Mundo, ainda por cima reforçado, era o que se esperava de um treinador jovem, mas pronto, alguma coisa tinha de fazer para escapar ao jogo sossegado que o FC Porto ia manobrando, não era? Esgotado o arsenal, os portugueses ganharam com calma o que faltava, completando um 3-0 raro em finais europeias, embora natural na situação de desequilíbrio que a partida gerou. Por via das dúvidas, Pedro Emanuel fez a perninha do costume, nos últimos onze minutos, e acabou em tranquilidade absoluta, a história de uma Liga dos Campeões inesperada, por falta de visão da nossa parte, e até de Mourinho que chegou a afastar a hipótese quando afirmou que aquela taça não era para equipas portuguesas. Não era. Pretérito.
Estádio Arena AufSchalke | relvado: razoável | espectadores: cerca de 50 mil | árbitro: Kim Nielsen, Dinamarca | assistentes: Jens Larsen e Jorgen Jepsen | 4º árbitro: Pierino Lardi (Suíça)
Mónaco 0 - FC Porto 3
GOLOS [0-1] Carlos Alberto, 38' [0-2] Deco, 70', [0-3] Alenitchev, 75'
30 Roma
4 Ibarra LD
3 Evra LE
27 Rodriguez DC
32 Givet DC 73'
7 Bernardi MD
15 Zikos MD
8 Giuly AD 23'
14 Cissé MO 63'
25 Rothen AE
10 Morientes AV
Didier Deschamps
29 Tony Sylva GR
19 Squillaci DC 73'
35 El Fakiri DC
6 Plasil MD
18 Nonda AV 63'
24 Adebayor AV
9 Prso AV 23'
99 Vítor Baía GR
22 Paulo Ferreira LD
2 Jorge Costa DC
4 Ricardo Carvalho DC
8 Nuno Valente LE
6 Costinha MD
23 Pedro Mendes MD
18 Maniche MO
10 Deco MO 83'
19 Carlos Alberto AV 60'
11 Derlei AV 77'
José Mourinho
13 Nuno GR
3 Pedro Emanuel DC 83
5 Ricardo Costa DC
17 Bosingwa MD
15 Alenitchev MO 60'
9 Jankauskas AV
77 McCarthy AV 77'
Amarelos 29' Nuno Valente; 39' Carlos Alberto
O Mundo a seus pés!
Não foi como os contos de fadas tradicionais. Desta vez, os princípes não eram encantados e os dragões ganharam mesmo. O FC Porto ganhou a Liga dos Campeões. Venceu o Mónaco e chegou ao topo do Mundo. E que bela vista se tem dali!
Por JORGE MAIA
O FC Porto ganhou a Liga dos Campeões. O FC PORTO GANHOU A LIGA DOS CAMPEÕES! Não, não é gralha, a repetição é propositada e pretende funcionar como um beliscão que nos assegura que, definitivamente, não estamos a sonhar. Aliás, não podiamos estar a sonhar porque nem sequer dormimos. É que a noite foi de festa de uma ponta à outra. Começou a festejar-se quando Carlos Alberto marcou o primeiro golo, respirou-se de alívio quando Deco fez o segundo e o que restava de voz foi-se quando Alenitchev marcou o terceiro. E voltou a festejar-se no fim do jogo, e gritou-se quando Jorge Costa partilhou a Taça com Vítor Baía, e quando os jogadores a passearam pelo Arena AufShalke. E festejou-se ainda mais quando os jogadores chegaram ao Porto com a Taça na bagagem e vai continuar a festejar-se enquanto nos lembrarmos que, afinal, não temos que ser pequeninos e bem comportados, que podemos ser gigantes. E essa é uma excelente lição para aprender quando faltam poucas semanas para começar o Euro'2004.
A festa, por sinal, também foi de despedida. José Mourinho vai embora, alguns jogadores também e todos, sem excepção, mereciam uma festa assim porque todos, sem excepção, deram tudo ao FC Porto e ao futebol português. Obrigado. Voltem sempre!
O Jogo
RANKING EUROPEU EM JANEIRO DE 2005
Por Apre
O Campeão Mundial FC PORTO é um dos 10 clubes europeus mais vitoriosos de sempre a nivel internacional. Os clubes do top 10 são os vencedores de 36 das 49 edições da Liga dos Campeões, e apenas um deles não está nos 1/8 de final da LC.
Aqui está o TOP 40 onde se encontram os 3 grandes:
1º Real Madrid 15 titulos (9LC;2TU; 1SE;3TI)
2º Milão 15 titulos (6LC;2TT;4SE;3TI)
3º Ajax 11 titulos (4LC;1TU;1TT;3SE;2TI)
4º Juventus 10 titulos (2LC;3TU;1TT;2SE;2TI)
5º Barcelona 10 titulos (1LC;3TU;4TT;2SE)
6º Liverpool 9 titulos (4LC;3TU;2SE)
7º Bayern M. 8 titulos (4LC;1TU;1TT;2TI)
8º Inter Milão 7 titulos (2LC;3TU;2TI)
9º Manchester 6 titulos (2LC;2TT;1SE;1TI)
10º FC PORTO 6 titulos (2LC;1TU;1SE:2TI)
11º Valência 6 titulos (3TU;1TT;2SE)
12º Anderlecht 5 titulos (1TU;2TT;2SE)
13º Feyeenord 4 titulos (1LC;2TU;1TI)
14º Parma 4 titulos (2TU;1TT;1SE)
15º Nottingam F. 3 titulos (2LC;1SE)
16º B.Dortmund 3 titulos (1LC;1TT;1TI)
17º Chelsea 3 titulos (2TT;1SE)
18º Dinamo Kiev 3 titulos (2TT;1SE)
19º BENFICA 2 titulos (2LC)
20º PSV 2 titulos (1LC;1TU)
21º Hamburgo 2 titulos (1LC;1TT)
22º Estrela Ver. 2 titulos (1LC;1TI)
23º Steua Buc. 2 titulos (1LC;1SE)
24º Arsenal 2 titulos (1TU;1TT)
25º Saragoça 2 titulos (1TU;1TT)
26º Totenham 2 titulos (1TU;1TT)
27º Leeds 2 titulos (2TU)
28º Gotemburgo 2 titulos (2TU)
29º Borussia M. 2 titulos (2TU)
30º Atlético M. 2 titulos (1TT;1TI)
31º Lázio 2 titulos (1TT;1SE)
32º Galatassaray 2 titulos (1T;1SE)
33º Aberdeen 2 titulos (1TT;1SE)
34º Malines 2 titulos (1TT;1SE)
35º Celtic 1 titulo (1LC)
36º Marselha 1 titulo (1LC)
37º Aston Villa 1 titulo (1LC)
38º B.Leverkusen 1 titulo (1TU)
39º SPORTING 1 titulo (1TT)
40º W.Bremen 1 titulo (1TT)

