Equipas B na II Liga agradam a clubes grandes e pequenos
>> Domingo, Janeiro 08, 2012
http://desporto.publico.pt/ "Matar dois coelhos com uma cajadada só". O ditado popular aplica-se na perfeição ao projecto de renascimento das equipas B, que vai ser hoje aprovado em assembleia geral (AG) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. A ideia de integrar seis equipas B na II Liga tem o objectivo de resolver a falta de um patamar de transição entre os juniores e os seniores, ao mesmo tempo que tenta dar uma nova vida à segunda competição profissional. A II Liga, que tem actualmente 16 clubes e atravessa grandes dificuldades financeiras, passará a ter 22 formações na próxima época, com a inclusão das equipas B do Marítimo (que já existe) e as do FC Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga e V. Guimarães (que serão reactivadas).
Esta mudança depende da aprovação em AG da Liga, algo que não será complicado, ao que apurou o PÚBLICO, já que praticamente todos os clubes a apoiam. A luz verde a este projecto ocorre na despedida de Fernando Gomes do cargo de presidente da Liga, antes da tomada de posse como líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a quem caberá, aliás, a ratificação deste projecto.
O renascimento das equipas B recupera o tão desejado espaço de transição entre o futebol jovem e os seniores. E, desta vez, prevê que estas formações possam jogar a um nível superior (no segundo campeonato profissional), suprindo uma lacuna que foi apontada na anterior experiência (até 2006), altura em que as equipas B não podiam jogar acima da II Divisão. Nessa altura, os "grandes" extinguiram as suas formações secundárias e o Marítimo foi o único a manter a equipa B em actividade.
Além de recuperarem um espaço de competição para os jogadores que saem dos juniores, os principais clubes nacionais até contam efectuar algumas poupanças com esta mudança. Ao que o PÚBLICO apurou, FC Porto e Benfica prevêem gastar menos na próxima época, já que a equipa B permitirá ter um plantel sénior mais pequeno.
A entrada das formações secundárias dos principais clubes na II Liga é ainda vista como uma forma de revitalizar esta competição. "Com as equipas B dos clubes mais fortes, vamos atrair mais gente aos estádios, haverá mais competição e vamos ter jogos à quarta-feira e em fins-de-semana de selecção", revelou ao PÚBLICO José Godinho, presidente da Oliveirense e porta-voz dos clubes da II Liga, que actualmente se queixam de haver poucos jogos no segundo campeonato.
Os clubes da II Liga esperam ainda maiores receitas televisivas, estando em marcha uma tentativa de centralizar os direitos de TV, da mesma forma que também está em discussão um mecanismo de solidariedade dos clubes do campeonato principal em relação aos emblemas da Liga secundária, para "evitar que a descida à II Liga seja um trambolhão financeiro tão grande".
O alargamento da II Liga para 22 equipas, diz José Godinho, vai ainda "resolver um problema à FPF", já que passarão a subir três clubes da II Divisão e a descer outros três da II Liga.
Na teoria, a criação das equipas B vai reduzir o número de jogadores a emprestar pelos principais clubes. Algo que agrada a José Godinho, para quem "haverá uma concorrência mais leal", e que não preocupa Isidoro Sousa, presidente do Olhanense, um clube que tradicionalmente recorre a futebolistas emprestados. "Estamos a diminuir o número de emprestados. Quando regressámos à I Liga, tínhamos 14, mas agora já só são cinco", diz Isidoro Sousa, afirmando que é importante os clubes terem futebolistas que possam ser transferidos e gerar mais-valias.
A título individual, o presidente do Atlético, José de Almeida Antunes, é menos entusiasta em relação a este projecto. O clube lisboeta defrontou em várias ocasiões as equipas B de Benfica, Sporting e Marítimo, numa experiência que "não deixou boas recordações", admite o dirigente. "Quando jogavam aqui em Lisboa, vinha a artilharia toda. Quando iam fora, os "craques" não queriam ir e a verdade desportiva ficava deturpada", aponta Almeida Antunes.
O projecto das equipas B
- II Liga passa de 16 para 22 clubes, com integração das equipas B de FC Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga, V. Guimarães e Marítimo.
- Campeonato da II Liga passa a ter 42 jornadas, com alguns jogos à quarta-feira e nos fins-de-semana em que a selecção joga.
- Nas equipas B só podem alinhar jogadores com idades entre os 16 e os 23 anos, havendo três vagas em cada jogo para futebolistas com mais de 23 anos.
- Em cada jogo, dos 11 titulares e sete suplentes, 10 têm de ser formados localmente - consideram-se formados localmente os jogadores que entre os 15 e os 21 anos tenham estado inscritos pelo menos durante três épocas em clubes portugueses.
- As equipas B não podem alinhar na mesma divisão da equipa principal. Por isso, jamais podem subir à I Liga, embora possam descer à II Divisão no caso de ficarem num dos últimos três lugares da II Liga ou se a equipa principal descer à II Liga.
- As equipas B não podem alinhar na Taça de Portugal, nem na Taça da Liga.
- Tem de haver um intervalo de 72 horas na utilização de um jogador na equipa principal e na equipa B.
- As equipas B não podem servir para "limpar" amarelos.
Esta mudança depende da aprovação em AG da Liga, algo que não será complicado, ao que apurou o PÚBLICO, já que praticamente todos os clubes a apoiam. A luz verde a este projecto ocorre na despedida de Fernando Gomes do cargo de presidente da Liga, antes da tomada de posse como líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a quem caberá, aliás, a ratificação deste projecto.
O renascimento das equipas B recupera o tão desejado espaço de transição entre o futebol jovem e os seniores. E, desta vez, prevê que estas formações possam jogar a um nível superior (no segundo campeonato profissional), suprindo uma lacuna que foi apontada na anterior experiência (até 2006), altura em que as equipas B não podiam jogar acima da II Divisão. Nessa altura, os "grandes" extinguiram as suas formações secundárias e o Marítimo foi o único a manter a equipa B em actividade.
Além de recuperarem um espaço de competição para os jogadores que saem dos juniores, os principais clubes nacionais até contam efectuar algumas poupanças com esta mudança. Ao que o PÚBLICO apurou, FC Porto e Benfica prevêem gastar menos na próxima época, já que a equipa B permitirá ter um plantel sénior mais pequeno.
A entrada das formações secundárias dos principais clubes na II Liga é ainda vista como uma forma de revitalizar esta competição. "Com as equipas B dos clubes mais fortes, vamos atrair mais gente aos estádios, haverá mais competição e vamos ter jogos à quarta-feira e em fins-de-semana de selecção", revelou ao PÚBLICO José Godinho, presidente da Oliveirense e porta-voz dos clubes da II Liga, que actualmente se queixam de haver poucos jogos no segundo campeonato.
Os clubes da II Liga esperam ainda maiores receitas televisivas, estando em marcha uma tentativa de centralizar os direitos de TV, da mesma forma que também está em discussão um mecanismo de solidariedade dos clubes do campeonato principal em relação aos emblemas da Liga secundária, para "evitar que a descida à II Liga seja um trambolhão financeiro tão grande".
O alargamento da II Liga para 22 equipas, diz José Godinho, vai ainda "resolver um problema à FPF", já que passarão a subir três clubes da II Divisão e a descer outros três da II Liga.
Na teoria, a criação das equipas B vai reduzir o número de jogadores a emprestar pelos principais clubes. Algo que agrada a José Godinho, para quem "haverá uma concorrência mais leal", e que não preocupa Isidoro Sousa, presidente do Olhanense, um clube que tradicionalmente recorre a futebolistas emprestados. "Estamos a diminuir o número de emprestados. Quando regressámos à I Liga, tínhamos 14, mas agora já só são cinco", diz Isidoro Sousa, afirmando que é importante os clubes terem futebolistas que possam ser transferidos e gerar mais-valias.
A título individual, o presidente do Atlético, José de Almeida Antunes, é menos entusiasta em relação a este projecto. O clube lisboeta defrontou em várias ocasiões as equipas B de Benfica, Sporting e Marítimo, numa experiência que "não deixou boas recordações", admite o dirigente. "Quando jogavam aqui em Lisboa, vinha a artilharia toda. Quando iam fora, os "craques" não queriam ir e a verdade desportiva ficava deturpada", aponta Almeida Antunes.
O projecto das equipas B
- II Liga passa de 16 para 22 clubes, com integração das equipas B de FC Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga, V. Guimarães e Marítimo.
- Campeonato da II Liga passa a ter 42 jornadas, com alguns jogos à quarta-feira e nos fins-de-semana em que a selecção joga.
- Nas equipas B só podem alinhar jogadores com idades entre os 16 e os 23 anos, havendo três vagas em cada jogo para futebolistas com mais de 23 anos.
- Em cada jogo, dos 11 titulares e sete suplentes, 10 têm de ser formados localmente - consideram-se formados localmente os jogadores que entre os 15 e os 21 anos tenham estado inscritos pelo menos durante três épocas em clubes portugueses.
- As equipas B não podem alinhar na mesma divisão da equipa principal. Por isso, jamais podem subir à I Liga, embora possam descer à II Divisão no caso de ficarem num dos últimos três lugares da II Liga ou se a equipa principal descer à II Liga.
- As equipas B não podem alinhar na Taça de Portugal, nem na Taça da Liga.
- Tem de haver um intervalo de 72 horas na utilização de um jogador na equipa principal e na equipa B.
- As equipas B não podem servir para "limpar" amarelos.











